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Por que quem ganha até 2 salários mínimos está mais negativado?

Entenda por que quem ganha até 2 salários mínimos está mais negativado, quais fatores pesam no orçamento e como evitar que a dívida cresça.

Negativados: por que quem ganha até 2 salários mínimos lidera?

(Imagem: divulgação/reprodução por I.A)

Se o dinheiro acaba antes do fim do mês, uma conta atrasada pode rapidamente virar outra, e, quando isso acontece de forma recorrente, o consumidor corre o risco de ter o CPF negativado.

No Brasil, essa realidade atinge principalmente as faixas de renda mais baixas.

Um levantamento do Mapa da Inadimplência da Serasa mostra que 48% dos inadimplentes ganham até um salário mínimo e outros 30% recebem até dois salários mínimos.

Mas por que a negativação pesa tanto sobre quem ganha menos? A resposta passa por renda disponível, despesas essenciais, acesso ao crédito, juros e pouca margem para lidar com imprevistos.

Por que quem ganha até 2 salários mínimos está mais negativado?

O problema está na combinação entre renda limitada e pouca capacidade de absorver aumentos de despesas ou emergências financeiras.

Uma pessoa que recebe R$ 1.621 ou R$ 3.242 por mês pode ter praticamente toda a renda comprometida com necessidades básicas antes mesmo de considerar uma dívida.

Dados do IBGE ajudam a entender essa pressão.

Na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, famílias com rendimento de até dois salários mínimos destinavam 61,2% das despesas a alimentação e habitação,[ 22% para alimentação e 39,2% para habitação.

Isso deixa uma margem muito menor para despesas inesperadas, como uma consulta médica, conserto de veículo ou compra de medicamentos.

A renda baixa deixa menos espaço para imprevistos

Imagine uma família com renda mensal de R$ 3.000.

Se boa parte desse valor já está comprometida com aluguel, alimentação, transporte, energia, água e outras despesas essenciais, uma emergência de R$ 500 pode ser suficiente para desequilibrar todo o orçamento.

Para uma família com renda maior, o mesmo gasto inesperado pode representar uma parcela menor do orçamento.

É justamente essa diferença de margem financeira que ajuda a explicar por que uma renda menor pode aumentar a vulnerabilidade à inadimplência.

A própria Serasa afirma que organizar as finanças com renda de até dois salários mínimos exige lidar primeiro com o desafio de fazer o dinheiro recebido no começo do mês chegar até o próximo pagamento.

O crédito pode virar complemento de renda

Outro fator importante é o uso do crédito para cobrir despesas que a renda mensal não consegue suportar.

Cartão de crédito, parcelamentos, empréstimos e outras modalidades podem ser úteis quando usados de forma planejada.

O problema começa quando o crédito deixa de ser uma ferramenta pontual e passa a funcionar como uma espécie de extensão do salário.

Esse risco também aparece no cenário brasileiro atual.

O Banco Central aponta que o endividamento e o comprometimento de renda das famílias continuam elevados, enquanto a oferta de crédito vinha sendo percebida pelas instituições como mais restritiva.

A situação é particularmente delicada porque uma dívida contratada hoje pode consumir parte da renda dos meses seguintes.

A maioria dos negativados está nas faixas de menor renda

O Mapa da Inadimplência da Serasa também mostra uma concentração importante entre os consumidores de menor renda.

Segundo os dados divulgados em março de 2026, 48% dos inadimplentes recebiam até um salário mínimo e 30% até dois salários mínimos.

Em contrapartida, quem ganhava mais de dez salários mínimos representava somente 2% dos inadimplentes.

Isso não significa que toda pessoa de baixa renda esteja inadimplente.

O ponto é que, proporcionalmente, a falta de margem no orçamento aumenta a exposição ao risco de atraso.

Quais dívidas mais pesam no orçamento de quem ganha pouco?

As dívidas não têm o mesmo impacto sobre o orçamento.

Uma conta básica atrasada pode comprometer uma necessidade essencial, enquanto uma dívida de cartão pode crescer rapidamente com juros e encargos.

Segundo o Serasa, bancos e financeiras aparecem entre os principais responsáveis pelas dívidas dos brasileiros.

Em outro recorte, contas básicas como água, luz e gás também ganharam participação relevante no total das pendências.

Cartão de crédito pode agravar a situação

O cartão costuma ser utilizado para distribuir uma compra ao longo dos meses.

Para quem tem renda apertada, porém, vários parcelamentos simultâneos podem criar uma conta mensal difícil de sustentar.

Contas básicas também podem levar à negativação

Nem sempre o problema começa com uma compra considerada supérflua.

Aluguel, energia, água, telefone, internet, supermercado e transporte podem consumir grande parte da renda.

Quando surge uma despesa extraordinária, uma dessas contas pode ser postergada.

H2: Ter renda baixa significa ter score de crédito baixo?

Não necessariamente. É importante separar duas coisas: renda e histórico de crédito.

Ganhar até dois salários mínimos não significa automaticamente ter um score baixo.

O que pode acontecer é que uma renda mais limitada aumente a probabilidade de atraso quando as despesas consomem praticamente todo o orçamento.

A experiência dos publishers americanos de finanças pessoais reforça essa distinção.

O Bankrate, por exemplo, destaca que renda não entra diretamente no cálculo do credit score nos Estados Unidos, embora consumidores de renda mais baixa possam enfrentar maior dificuldade para manter uma relação saudável entre dívida e renda.

No Brasil, os critérios e modelos de score não devem ser tratados como equivalentes aos sistemas americanos.

Portanto, o ponto central é: renda baixa pode aumentar a vulnerabilidade à inadimplência, mas não determina sozinha a pontuação de crédito.

O que realmente prejudica o histórico de crédito?

O atraso no pagamento é um dos sinais mais importantes de risco para credores e birôs.

Por isso, uma pessoa com renda modesta que paga suas contas em dia pode ter um perfil de crédito melhor do que alguém com renda muito maior, mas que acumula atrasos e dívidas.

Essa distinção é essencial para evitar um erro comum: acreditar que aumentar a renda, sozinho, “limpa” o histórico financeiro.

Como evitar que uma renda apertada vire uma dívida maior?

Não existe uma regra única capaz de resolver o orçamento de todas as famílias. Mas algumas medidas podem ajudar a impedir que um atraso se transforme em uma sequência de novas dívidas.

Descubra quanto da renda já está comprometido

Comece somando:

  • aluguel ou financiamento;
  • água e energia;
  • alimentação;
  • transporte;
  • escola e despesas com filhos;
  • empréstimos;
  • parcelas do cartão;
  • assinaturas;
  • outras contas recorrentes.

Depois, compare o total com a renda líquida mensal.

O objetivo não é criar um orçamento perfeito, mas descobrir quanto realmente sobra depois das despesas essenciais.

Evite usar um empréstimo novo para pagar uma dívida sem calcular o custo

Trocar uma dívida por outra pode fazer sentido em algumas situações, principalmente quando existe redução efetiva dos juros e uma parcela que cabe no orçamento.

Mas contratar crédito apenas para adiar o problema pode aumentar o endividamento.

A própria Investopedia destaca a importância de incorporar as parcelas ao orçamento e evitar tomar mais dinheiro emprestado apenas porque existe limite disponível.

Se já está negativado, procure negociar antes de assumir outra dívida

Quem já está com o nome negativado não precisa esperar a situação ficar ainda pior para buscar uma solução.

Em 2026, o governo lançou o Novo Desenrola Brasil, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e determinadas dívidas bancárias em atraso.

O programa contempla, entre outras modalidades, cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, conforme as regras oficiais.

Opinião do autor

A concentração da inadimplência entre brasileiros de menor renda deveria ser analisada com cuidado para evitar uma conclusão simplista.

O problema não é apenas quanto uma pessoa ganha, mas quanto sobra depois que as necessidades básicas são pagas.

Para quem vive com até dois salários mínimos, uma pequena emergência pode representar uma parcela enorme da renda mensal.

Quando não existe reserva financeira, o cartão ou o empréstimo aparece como alternativa imediata.

Por isso, o ponto mais importante não é simplesmente “cortar gastos”.

É entender quais dívidas estão consumindo a renda, quanto elas custam e quais podem ser renegociadas sem comprometer novamente o orçamento.

Ter renda baixa não significa estar condenado à inadimplência.

Contudo, quanto menor a margem disponível no orçamento, maior precisa ser o cuidado com crédito, parcelas e compromissos futuros.

Juliana Raquel
Escrito por

Juliana Raquel

Me chamo Juliana Alves e sou redatora há mais de 9 anos, além de apaixonada pela escrita. Sou formada em Jornalismo e pós-graduada em Marketing Digital e Storytelling. Ao longo da minha carreira, escrevo para ajudar pessoas a entenderem, de forma simples e clara, os mais variados assuntos.

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